quero que a realidade não exista e não mais que devaneios. cansei de tentar. devo estar doente...afinal são 3semanas desse jeito. não sei quanto mais posso aguentar. meu estado de consciência se vai a cada minuto. pés no chão. voando. toco a fina película de gelo, mas por segundos. medo de quebrar. medo de me arriscar? sim, de alguma forma. medo de arriscar e quebrar.
com o desejo de voar fico a espreita. mas nehuma oportunidade vem. eu tenho que ir até ela? eu já tentei, mas não dá certo. quantas vezes vou tentar e não vai dar certo? por que isso conta mais do que as outras coisas que deram certo?
uma pílula, duas, três, quatro...estou perdendo as contas. o cigarro me cativa. a bebida me seca. qualquer droga para fugir da realidade.
estou ficando louca, estou ficando louca. talvez seja isso ainda que me resta do pensamento racional, consciente. desejo de ficar louca?
uma morte sem vestígios seria a mais ideal. mas o que me segura tanto? talvez o fato de saber que comprometerei a vida de muitos o andar de muitos, mas a vida sempre segue adiante não?
um parente morre e continuamos a viver. continuamos com a rotina do dia-a-dia.
só farei parte do passado. o passado que de vez em quando lembramos. não precisamos dele todos os dias e nem todas as horas.
tenho vergonha de pedir ajuda para viver. afinal, respiramos, comemos porque queremos viver, de alguma forma. Mas isso é algo físico, que o corpo pede. mas o que a mente pede?
pedir ajuda para viver. que patético. conscientemente sei que há algo de errado e que um dia irei quebrar, se já não estiver quebrada. por enquanto está tudo a trancos e barrancos.
quando cair, o que será? corda bamba. um fio de nylon, óleo e um sol que não aparece mais.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
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